Os primeiros deuses registrados pela história, baseados na Natureza (incluindo astros, fenômenos e animais), provavelmente foram criados e conceituados não só por serem poderosos, grandiosos e evidentes, mas também por estarem sempre presentes. Nós vivemos, envelhecemos e morremos, passamos por milênios e milhares de culturas, e a Natureza, com seus múltiplos fatores, continua sempre constante. Isso, talvez, tenha feito surgir as primeiras discussões sobre eternidade.
A vontade de driblar a morte pode acontecer por medo da dor, do desconhecido, do fim. Religiões têm em comum a alma eterna e, muitas vezes, consideram o corpo como seu templo, sendo a morte apenas um passo e algo que faz, inevitavelmente, parte da vida. Enquanto isso, muitos campos da ciência, essa que evolui a cada minuto, não deixam de, específico ou indiretamente, buscar a imortalidade ou a prolongação da atividade do corpo.
Em um passado relativamente distante, a religião era a única explicação conveniente para se abraçar, portanto, a aceitação da morte era fácil e quase banal. As mitologias, embora em condições diferentes, quase que absolutamente impõem uma consciência após a morte e, assim, uma eternidade, sendo ela desprendida do mundo material ou não, como nos casos que envolvem reencarnação.
No mundo contemporâneo, uma época em que o ceticismo só cresce, a ciência expõe drogas, tratamentos e específicas medidas baseadas em pesquisas que, as propagandas garantem, fazem viver mais. Aubrey de Grey, um cientista britânico, possui teses, livros e pesquisas em andamento que, ele promete, ajudarão a alcançarmos a imortalidade do corpo. Segundo Grey, nós envelhecemos devido a “uma série de efeitos colaterais acumulativos do metabolismo que eventualmente nos matam”. Ele propõe o retardamento do envelhecimento das células, evitando ao máximo os fatores que causam tais danos às menores unidades do organismo, das quais nós somos constituídos.
Fora dos contextos das religiões, a vontade de viver eternamente pode ser causada por vários fatores pessoais, filosóficos e científicos. A ânsia de assistir à evolução da humanidade, por exemplo, ou a curiosidade de quando ou se o mundo irá acabar. Não importa, aqui, os motivos, e sim os meios que levam ao fim. A busca pela anulação ou adiamento da morte sempre foi um assunto de interesse e mistério para a humanidade, como relatada em uma quantidade imensa de ficções, que mostram a solução, muitas vezes, recorrida à magia, como no caso de Dorian Gray, ou, em um caso hoje mais perto da realidade, à Engenharia Mecatrônica.
O interessante é pensar que em tempos em que a superlotação do mundo significa um de seus maiores problemas, há pessoas que buscam, em seu direito de livre arbítrio e consciência plena e sã, se esquivar da morte. Frisando que a imortalidade abordada é a de retardamento do envelhecimento e não a de ivulnerabilidade, a prolongação da vida do ser humano signficaria o encurtamento da vida do planeta Terra.
1 comentários:
no final, é isso aí! J
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